3 de abril de 2009

Sinal verde

Neste último domingo aconteceu a primeira pedalada verde.

Mais um evento para o calendário ciclístico de Sampaulo. Agora todo o último domigo de cada mês um pessoal se juntará para tornar esta cidade um pouquinho mais bonita.


As mudas foram conseguidas no viveiro Manequinho Lopes. Os trâmites burocráticos estão explicados direitinho em algum lugar da lista da bicicletada. Mas como aquilo é uma zona, desisti de procurar.


Legal que o pessoal montou um blog onde se pode acompanhar e, principalmente, participar da iniciativa.


Tudo foi transportado nas bikes.


Cenas bonitas de se ver.


Para todas as idades.


Mesmo espírito da bicicletada: seja bem vindo.



Fotos do meu sócio JP.

2 de abril de 2009

A burrice é a maior das misérias

"Professor, pra que eu tenho que aprender matemática se eu vou ser cozinheiro?"

Com certeza esse aluno não vai ter que calcular log de nada para ser um bom cozinheiro. Jamais usará a trigonometria em nenhuma receita - se o fizer, nunca comerei da sua comida. Talvez nos seus papéis só apareçam alguma regra de três e umas porcentagens.

É mitológica esta indagação. Não há um professor que nunca passou por ela. Mas alguns ainda ficam sem jeito. Bravamente tentam justificar que a matemática está em tudo, quase sempre usando argumentos que chegam mais perto de provar que ela não serve pra nada.

"Professor, pra que eu tenho que saber com dois pontos encontrar uma reta?" "Ora, para o caso de você ter dois pontos e querer encontrar uma reta"

Jénio!

Há alguns anos, em plena reunião de pais e mestres, depois que um pai implorou para que ensinássemos matemática de forma mais aplicada a seu filho, ouvi a seguinte pérola de um colega: "a matemática está em tudo. Por exemplo, se a pessoa quiser saber quantos passos ela tem que dar para ir embora desta sala, ela terá que usar a matemática. Se ela quiser saber quantas cadeiras tem aqui, vai ter que usar a matemática. Então, como você vê, a matemática está em tudo".

Enquanto enfiava a cara dentro da camisa e torcia para o mundo acabar logo, duas coisas me vieram à cabeça. Primeiro, a pessoa que sentir esta vontade precisará mais de um psicólogo do que da matemática. Segundo, a matemática que as pessoas costumam conseguir enxergar no mundo quase sempre se restringe a contagem ou a simples comparações de grandezas.

E por que isso?

Se você olhar em TODOS os livros didáticos, notará que NENHUM deles tem como foco a argumentação dedutiva. Alguns trazem exercícios do tipo "prove", mas jogados no meio dos outros, sem as devidas explicação e exemplificação no corpo do texto. Nunca vi um aluno que saiu do ensino médio sabendo provar alguma coisa por indução. Nunca vi um aluno que saiu do ensino médio tendo pelo menos ouvido falar nisso.

Todos ensinam ferramentas e mostram sua aplicação. Alguma história da matemática aparece. Quase sempre sem contexto, só enchendo linguiça. As coisas aparecem como se surgissem do nada e para o nada caminhassem.

Como esperar que alguém se interesse e se dedique a isso?

Noventa e nove vírgula nove porcento das pessoas (99,9%) realmente nunca vai usar um logarítmo. Então porque eu tenho que ensinar essa merda?

Esse assunto ainda vai gerar muitos posts. (Afinal, esse blog era pra ser principalmente sobre matemática, minha paixão geratriz). Por enquanto lhes deixo com meu blog amigo Idéias Cretinas, que explicou muito bem o coração da questão:


Dei esta volta toda [veja aqui a volta toda] para chegar à recente onda de escândalos no Senado, que degenerou rapidamente em uma série de tu quoque - a falácia de tentar se defender de uma acusação não produzindo argumentos relevantes ou evidências idem, mas dizendo que o acusador também tem culpa no cartório. Como se um assassino, digamos, não pudesse ser testemunha ocular de um assalto, ou vice-versa.

O que me pôs a pensar: se as pessoas em geral estivessem mais familiarizadas com as regras do discurso lógico e da prática científica, elas provavelmente não engoliriam esse tipo de jogo de cena. Se os jornalistas que cobrem política também tivessem esse tipo de familiaridade, talvez conseguissem ser mais incisivos. Darwinianamente, isso poderia vir a gerar políticos melhores.

1 de abril de 2009

Adeus


Ganhei na loteria!!!!

Kassab reconhece a importância da bicicleta

Encontrado no ecologia urbana:

O prefeito Gilberto Kassab decidiu lançar hoje, um dia após apresentar seu plano de metas, o programa “uma bicicleta por cidadão”. A idéia é facilitar a compra ou subsidiar a aquisição de bicicletas por cidadãos paulistanos.

O programa, ainda em desenvolvimento, visa reduzir o tráfego urbano substituindo progressivamente o uso do automóvel pelo uso da bicicleta e transporte público como meios de transporte.

O prefeito acredita que o incentivo ao transporte cicloviário é uma solução não só do ponto de vista da mobilidade mas também do ponto de vista da saúde do cidadão.

O programa é fruto de um convênio da prefeitura com a empresa Caloi. Uma das formas pensadas de adquirir uma bicicleta é a compra via abatimento do IPTU.

7 de março de 2009

O fim do mundo

Charge de Patrick Chappatte, publicada no jornal suíço Le Temps, fevereiro de 2007, quando o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) publicou a primeira parte do relatório sobre mudanças climáticas, que culpou a ação do homem pelo aquecimento global.

Enviado pela Polly.

Aliás, aproveitando o gancho, a Polly é a melhor fotografa da bicicletada. Vale a pena: aqui.

5 de março de 2009

A grobo tá demais!!!!


Ah, a grobo tá demais!!

O amigo Laércio encontrou um vídeo homenagem à rede grobo gravado no carnaval de Recife, Pernambuco.

Muito bom. Corra que daqui a pouco eles tiram do ar.

4 de março de 2009

6 coisas ultra secretas ou nem tanto sobre minha vida

O Meandros me colocou numa maldita corrente onde tenho que contar seis coisas secretas sobre minha vida. Não gosto muito de correntes, mas como sei que dá muito azar quebrá-las, ai vão meus seis pecadilhos:


1 - Ainda não tenho uma roda fixa.

2 - Também fiz curso de datilografia!! (mas nunca votei no Collor).

3 - Sempre começo a ler o jornal pela última página.

4 - Até a adolescência eu não pisava em nenhuma linha do chão. Nenhuma divisão entre pisos, rachado do cimento, nada. Ai um dia, me revoltei contra mim mesmo, "descobri" que isso era uma tendência para evitar os momentos naturais de ruptura da vida e passei a andar SÓ pisando nas linhas.

5 - Já comprei ou afanei métodos para aprender francês, alemão, inglês, italiano, esperanto, espanhol, japonês, chinês e nunca passei do primeiro capítulo. Não sei falar nem bom dia na maioria destas línguas.

6 - Toda vez que tenho febre alta começo a delirar, acho que vou morrer e me despeço da minha família, falando em esperanto com as minhas irmãs (as outras duas únicas pessoas no mundo que sei que entendem isso) e dando recomendações sobre o que fazer com minhas bicicletas e meus instrumentos musicais.


Bem, o bom das correntes é que você pode escolher quem serão as próximas vítimas: Chantal, Laércio e Rakal, quais são as seis coisas secretas sobre suas vidas?


obs: ah, José, se você já tivesse um blog. Ah, amigo baiano, você também não escaparia!

2 de março de 2009

Usar ou não usar, eis a questão

Rolou uma discussão bacana, no Maglia Rosa, sobre usar ou não usar comunicação eletrônica em provas de ciclismo. É a velha discussão entre tecnologia X humano. Em sã conciência, ninguém é contra a tecnologia por princípio. Mas o uso dela tem que ser feito com bom senso. A fórmula 1 é um bom exemplo disso: hoje em dia a grande emoção é quando o carro pára nos boxes. Praticamente não existem mais ultrapassagens. O piloto é algo quase que supérfluo.

Reproduzo abaixo a argumentação do Rodrigo Fieira, que assino embaixo.

Sou favorável a tudo que visa aprimorar o ciclismo e a ciclística, tudo que vêm tornar o esporte mais rápido, mais dinâmico, mais competitivo, e mais seguro. Não fosse assim estaríamos competindo usando quadros de ferro, firma-pé, pneus com câmera, sem marchas, e sem capacete.

Mas, na minha opinião, o rádio não ajuda em nada disso. Ao contrário. O rádio torna as provas mais lentas, menos dinâmicas e menos competitivas. Quanto a segurança, não sei se hoje é mais seguro do que no tempo do Eddy por causa deles. Não reconheço como ajudam nesse ponto.

Ficam mais lentas, menos dinâmicas e menos competitivas pois, em etapas onde figuram na fuga ciclistas com muito atraso, estamos cansados de ver o pelotão deixar de trabalhar pra se cansar menos, permitindo a vitória da fuga. Ou em provas onde o pelotão só vai administrando a distância sem impor ritmo, fazendo verdadeiros passeios ciclísticos, ninguém ataca.

Está tudo muito controlado, muito fácil. Com exceções, ninguém ataca mais que o necessário e o pior, se não é necessário ninguém ataca (os poucos que deram alguma graça estavam encerados…).

Sinceramente, acho que isso não é voltar atrás pois não influencia diretamente naquilo que sempre existiu: homens, bicicletas e equipe de apoio. A eletrônica deveria ficar onde sempre esteve: fora do ciclismo (claro que isso não se aplica a coisas que não influenciam em resultados, como por exemplo os ciclocomputadores).

Mas duvido que isso aconteça, é muito mais cômodo pra todas as equipes. A choradeira iria ser muito grande. Eles jamais admititiam voltar ao tempo do bilhetinho.

Abraço!