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27 de fevereiro de 2010

O torto


Curitiba é uma cidade ótima.

Comparada com São Paulo, é assustadoramente limpa, é quase plana, é quase pequena, sem deixar de ser quase grande, e os butecos são bons e baratos.

As pessoas são meio desconfiadas, mas não tem nem sombra do estresse que aqui a gente nem percebe mais.

Se eu morasse lá, seria um bêbado: imagina sair do trabalho e demorar cinco minutos pedalando pra chegar no buteco e depois mais cinco minutos pra chegar em casa. O tempo que eu perco nos deslocamentos neuróticos de Sampa ia gastar lá entre amigos e cervejas.

E por falar nisso, o primeiro buteco que conheci na cidade do sorriso foi o bar do Torto. Conheci meio que por acaso, tava com meu amigo baiano fundador do Beerganismo esperando um pessoal, não tinhamos nada pra fazer, entramos no bar mais próximo.

Logo de cara a decoração chamou a atenção e explicou o nome do bar: fotos do Garrincha pra todo lado. Fomos atendidos pelo dono, um cara mega simpático. Pedimos a cerveja e ele foi buscar. Só que no caminho da geladeira até nossa mesa o cara fez malabarismos incríveis com a garrafa, na maior naturalidade, como se nada estivesse acontecendo.

Se você for pra Curitiba, dê uma passada lá. Se não tiver esta oportunidade, assista essa reportagem para matar a vontade.

13 de agosto de 2009

Juventus rumo a Tóquio

E não é que não fui só eu que tive esta idéia. Só que os caras foram muito, muito mais longe:

Um curta de Andréa Kurachi , Helena Tahira e Rogério Zagallo.

Domingo de sol, rua Javari congestionada de torcedores a caminho do tradicional Estádio Conde Rodolfo Crespi. Tinha palmeirense, corintiano, santista, são paulino… mas naquele dia, todos eram juventinos. O segundo time de coração de muito torcedor paulista e, por que não, brasileiro, tentava uma vaga inédita na Copa do Brasil.

Assim começa o “Juventus Rumo a Tóquio”, um curta que registra a emoção que tomou conta do estádio da Javari, na Mooca, numa final de campeonato em novembro de 2007.

“Juventus Rumo a Tóquio” acaba de ser selecionado pelo Festival Internacional de Curtas de São Paulo. E vai ser exibido no programa especial “Unidos na Paixão”.

Locais e horários:

Dia 21/08, às 16H00, no Centro Cultural São Paulo

Dia 22/08, às 20H00, no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso

Dia 23/08, às 17H00, no Cine Olido

Dia 27/08, às 18H00, no Cineclube Grajaú

O 20° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo começa dia 20 e vai até 28 de agosto, com entrada gratuita.


Assista o trailer aqui.


Ódio eterno ao futebol moderno!!!!

5 de agosto de 2009

Lógica invertida

O amigo cidadão Daniel, num dia comum, travou o seguinte diálogo com um senhor também cidadão, agente da empresa que controla o trânsito de seres vívos desta cidade.


Cenário: Rua do Bosque, um trecho tradicionalmente engarrafado em função do estacionamento problemático embaixo do Tribunal Trabalhista, na Barra Funda, São Paulo. Apesar do nome, praticamente nenhuma árvore, só os carros constantemente buzinando e formando filas intermináveis para tentar acessar o prédio e calçadas assustadoras, com direito a pedaços de ferro erguidos, buracos, trechos onde não dá para passar duas pessoas e fumaça, muita fumaça. Manhã de terça-feira, 10h, dois funcionários da CET orientam os motoristas para que o trânsito não pare. A ordem é pé no acelerador.

- Bom dia, com licença, vocês estão fazendo alguma operação especial ou é um estudo de monitoramento do trânsito?
- Opa, não, não. É que está tendo um evento no Fórum, aí chamaram a gente para organizar o trânsito.
- Essa rua sempre pára.
- Pois é.
- Bom, como faço para fazer uma solicitação relativa ao trânsito?
- É dessa rua?
- Não, é daquele viaduto ali. A calçada é um pouco menor que a minha aberta assim ó - abri a mão esticando os dedos, não muito.
- Un... Qual a sua solicitação?
- Aumentar a calçada, tirar uma pista para os carros.
- Tirar uma pista para os carros? Mas isso não dá. Essa avenida já está MUV (ou MUF, ou MUB), já está saturada.
- Mas tem bastante gente que atravessa o viaduto a pé e, quando duas pessoas se encontram, uma tem que descer para a rua, é perigoso.
- Olha, se tirar uma pista dos carros, o trânsito vai piorar ainda mais, a fila vai ficar pior.
- Não tem como piorar, amigo. Aquilo sempre está travado. E, se piorar, as pessoas tentaram outras maneiras de fazer esse trajeto, né? Talvez até melhore o trânsito.
- Olha, fizeram isso na Matarazzo. Quer dizer, tiraram uma pista dos carros e fizeram uma exclusiva para os ônibus. O pessoal reclamou bastante e nas duas faixas de carro o trânsito travou de vez.
- Mas esse modelo não tem jeito mesmo, né? Se todo mundo for de carro, não cabe.
- É, isso é verdade.
- Olha o que estão fazendo na Marginal. Vai resolver abrir mais pistas?
- Não, de jeito nenhum. Logo mais a gente em vez de 7 pistas congestionadas, vamos ter 11.
- Então! A solução é diminuir as pistas dos carros. Nessa questão dos viadutos, eu tenho interesse também porque passo de bicicleta por aqui e, se continuar assim, qualquer hora vão me atropelar. Com quem eu posso falar?
- Liga lá na CET e faz a solicitação, eles encaminham para a Subprefeitura. Mas posso te falar uma coisa?
- Claro!
- Não sei se o pessoal da Prefeitura gosta desse tipo de idéia não. Não sei...
- Bom, vou tentar. Obrigado e bom dia aí para vocês.
- Bom dia!

CETs se reaproximam e ficam conversando enquanto acenam para os motoristas acelerarem.

4 de agosto de 2009

Bonde de Curitiba

Essa menina foi voar em Curitiba no bonde do ano passado e resolveu fazer esse vídeo, contando como esse foi um dos dias mais bonitos da vida dela.

O bonde pra Curitiba é o momento de encontro do pessoal da bicicletada daqui com o da bicicletada de lá. Pegamos um busão na sexta a noite, logo após a nossa bicicletada, e chegamos lá na fria manhã de sábado, com uma quente recepção.

Ainda dá tempo de participar. Veja aqui.

20 de julho de 2009

Minhas meninas

Apaixonado por bikes como todo brasileiro e num incômodo momento de exposição da minha vida na interneta, apresento minhas magrelas.

Em algum momento que não sei precisar bem, virei um maníaco. Comecei a comprar várias bicicletas usadas. Cada um que me oferecia um ferro velho, fechava negócio. Tá certo que a mais cara custou trezentão. Cada uma com uma característica especial que justificava sua presença. Cheguei a ter nove bicicletas, não cabia mais em lugar nenhum. Tinha uma que dormia no meu quarto. Hoje estou só com quatro.

Até então não entendia as pessoas que reformam carro velho. Agora os respeito.

Essa primeira é minha speed. Se chama Verona, em homenagem ao meu pai (cidade natal da família dele). É uma Raleigh americana que passou por pelo menos quatro pessoas antes de chegar em mim. Fiz a burrada de mandar pintá-la antes de descobrir a história do modelo. Agora só sei dizer que ela é uma Raleigh americana de comoly. É um avião. Muito confortável, exceto pelo trocador na parte de baixo do quadro. Comprei ela do Zé, antes dele fugir pra Suíça.


Essa belezura é minha fixa. Atende pelo belo nome de Vaca. Mais um produto com o selo Canna de qualidade. Ainda não me adaptei muito bem a ela. Faltam alguns ajustes. Falta andar mais, na verdade. É com ela que vou na fixolimpíada. Andar de fixa é um prazer inenarrável.


Reparem no refletor de raio que o Zé me mandou da Zoropa.


As duas são imponentes. Mas quem faz o serviço sujo, quem carrega o peso, enfrenta o dia-a-dia e vai comigo pra Graciosa é a Pretinha, uma Caloi pesada e mal feita que eu adoro.

Tenho ainda uma ceci que está reformando. Pretendo transformá-la para aro 700 e, talvez, fixá-la.

4 de março de 2009

6 coisas ultra secretas ou nem tanto sobre minha vida

O Meandros me colocou numa maldita corrente onde tenho que contar seis coisas secretas sobre minha vida. Não gosto muito de correntes, mas como sei que dá muito azar quebrá-las, ai vão meus seis pecadilhos:


1 - Ainda não tenho uma roda fixa.

2 - Também fiz curso de datilografia!! (mas nunca votei no Collor).

3 - Sempre começo a ler o jornal pela última página.

4 - Até a adolescência eu não pisava em nenhuma linha do chão. Nenhuma divisão entre pisos, rachado do cimento, nada. Ai um dia, me revoltei contra mim mesmo, "descobri" que isso era uma tendência para evitar os momentos naturais de ruptura da vida e passei a andar SÓ pisando nas linhas.

5 - Já comprei ou afanei métodos para aprender francês, alemão, inglês, italiano, esperanto, espanhol, japonês, chinês e nunca passei do primeiro capítulo. Não sei falar nem bom dia na maioria destas línguas.

6 - Toda vez que tenho febre alta começo a delirar, acho que vou morrer e me despeço da minha família, falando em esperanto com as minhas irmãs (as outras duas únicas pessoas no mundo que sei que entendem isso) e dando recomendações sobre o que fazer com minhas bicicletas e meus instrumentos musicais.


Bem, o bom das correntes é que você pode escolher quem serão as próximas vítimas: Chantal, Laércio e Rakal, quais são as seis coisas secretas sobre suas vidas?


obs: ah, José, se você já tivesse um blog. Ah, amigo baiano, você também não escaparia!

26 de fevereiro de 2009

Tem coisas que só a bicicleta faz por você


Semana passada o grande amigo Hasse mandou esse relato para a lista da bicicletada.


Observando, gostaria de compartilhar acontecimentos inesquecíveis que rolaram na paulista nesse últimos dias.

Na quinta "chuvosa " passada tivemos o privilégio de ver, no cruzamento da augusta com a paulista , uma colisão motorizada. Uma menina acertou em cheio, após passar o farol vermelho, a picape do CET. Após a colisão só me lembro do amarelinho comentando que não acreditava que a garota havia feito aquilo. E a menina, toda culpada, deu até pena de ver.

Logo em seguida, 5 minutos depois, um motoqueiro caia no mesmo local... nada sério.

Ontem andávamos na paulista sem rumo, eu e a Mari, quando fomos convidados para um cinema de graça. Bacana, filme, aconteceu tudo normalmente quando no final chamam uns "sorteados" para comentar sobre a pré-estreia. William Cruz!! Qual a chance de ter mais que um William Cruz na cidade e no mesmo cinema? Pois é , era ele mesmo... "Ei Haase", ele chamou. Ai falei pra ele, "só podia ser você mesmo". No momento seguinte subindo a Augusta, Renato "Tinho", que nem nos viu, e no quarteirão seguinte Vitor Leal e João Lacerda.

Bom , existem coisas que só a bicicletada faz por você... ela te traz pessoas e te faz observar o mundo de uma forma diferente, sem palavras.

Abraços em forma de uma crônica da semana.
Haase

13 de fevereiro de 2009

Ladrão de bicicleta

Meu amigo ex-advogado, triatleta, especialista em freedancing e florais, como todos nós, também já passou por maus bocados em cima da magrela. Neste caso ele não conseguiu permanecer exatamente em cima dela e o resultado disso está bem relatado nas palavras dele abaixo:


Mas teve um episódio engraçado para não dizer trágico. Eu morava num cubículo no centro na época, e descia a Rua Augusta todo dia para voltar do trabalho, lá pelas dez da noite. Como pedalo em ritmo de mulher fiel (num pau só) e sempre sincronizado com as mudanças dos semáforos, percebendo que um deles ia abrir e se eu pedalasse mais forte conseguiria ultrapassar todos os carros que aguardavam parados, acelerei. Só que uma pedestre também achou que conseguiria atravessar a rua enquanto o semáforo estava amarelo. Não deu outra. Com as pastilhas do freio gastas tive que desviar da moça e me jogar no chão para não atropelá-la. Só que meu bar-end enroscou na alça da bolsa da moça, ela achou que eu estava roubando-a. No final das contas estava eu deitado no chão, na porta de uma daquelas saunas bem frequentadas, com o segurança me olhando e não sabendo o que fazer, minha bike a uns cinco metros para frente e com a bolsa da moça pendurada no guidão e ela vindo gritando desesperada atrás da bolsa. Foi vídeo cassetada total. Conversei com ela, pedi desculpas pelo ocorrido, ela entendeu e também se desculpou por não ter me visto. Essas coisas acontecem!

23 de novembro de 2008

Vá a pé, mas com cuidado!

É com orgulho que recebo e publico o texto abaixo. Foi escrito espontânea e especialmente para este blog por meu brimo Marcel, que julga não ter perna suficiente pra pedalar, mas que costuma andar bastante e ter um olhar bastante atento e bem humorado sobre tudo. Valeu Marça, sucesso!

Entrar no trabalho às cinco da manhã tem lá suas vantagens. Às duas e meia da tarde já estava com a mochila nas costas, pronto para o tão esperado regresso. Não estava sol, mas nem precisava. O fim do expediente me motiva de maneira extraordinária.

Com toda essa alegria decidi: “De noite, em vez de ônibus, vou a pé até o metrô para ver o show de punk rock no Hangar”. Um horinha de caminhada ia me fazer bem, nada melhor para uma sessão de introspecção. Além disso, fugiria do estresse do busão e do trânsito da sexta-feira.

Para fazer o warm up pro show, liguei meu MP3 Player (desculpe, sem dinheiro para um Ipod) no talo. Muito ska-core com Less Than Jake e Reel Bigh Fish. Porém, enorme foi a surpresa de que seria mais relaxante ir ao metrô com o Palio 98 do meu irmão.

Em 53 minutos quase fui atropelado quatro vezes. Primeiro um carro passou pelo vermelho, assim, sem pudor. O outro quase fez a mesma coisa, mas faltou coragem. Parou na faixa de pedestres. Quando percebeu que estava atrapalhando a passagem, decidiu dar a ré, mas não me viu passando por trás de seu Audi A3. Quase o árabe aqui virou tabule amassado.

Com as motos a coisa é mais repentina. Uma delas simplesmente pegou a contramão, percebendo que o fiscal da CET preferia conversar com a moça bonita, atendente do bar. O outro motoboy quase me mandou para o hospital por um motivo mais nobre. Subiu na calçada para entregar duas pizzas. Justo não?

Dizem que nos EUA, Canadá e na Europa é só colocar o pé na rua que os carros param. É lindo, mas utópico por aqui. Não precisamos de tudo isso. Bastava que carros (qualquer veículo, sejam carros, motos, caminhões) e pedestres sigam certas regrinhas básicas:

-Carros: Andem nas ruas, respeitem as sinalizações, as faixas e o semáforo. Sinal amarelo significa REDUZA e não AUMENTE, e sinal vermelho significa PARE e não PISA FUNDO QUE AINDA DÁ TEMPO!

-Pedestres: Andem nas calçadas, atravessem na faixa e também prestem atenção no semáforo. Nada de correr no vermelho e depois culpar os carros.

Tão difícil assim? Ontem me pareceu.

23 de setembro de 2008

O Canna é meu pastor e nada me faltará

História que o Canna mandou pra lista da bicicletada e fez todo mundo chorar. Será que eu devia ter pedido a permissão dele pra publicar?



E pensando aqui, me lembro de uma passagem uns tempos atrás:

Estava na bicicletaria, trocando meus pneus 2.0 novinhos por dois 1.5 slicks, pois os largos não me agradavam. Pagava R$ 25 paus em cada pneu, mais as câmeras novas...sem pensar muito que estava gastando uns 70 reais ali, graças a Deus não me fazem falta.

Enquanto aguardo, um rapaz bem simples, com uniforme de empresa e uma bike toda fudida chega perguntando quanto era um pneu novo. A bike dele era uma mountain bike toda ferrada, com roda dianteira com aro diferente da traseira, os pneus estavam um caco, sem freio traseiro...

Puxei assunto e ele me disse que ia para o trabalho todo dia de bicicleta, fiz uns cálculos e ele pedalava uns 40km por dia. Disse que fazia supermercado, tudo ele ia de bike pois era mais rápido e fazia bem pra saúde.

Ao saber o preço do pneu mais barato, descartou a compra pois nitidamente não tinha a grana para comprá-lo.

A minha ficha caiu. Ofereci meus dois pneus com as respectivas câmeras. Ele achou meio estranho e perguntou quanto era. Disse que não era nada, eu ia entulhar isso em casa e pedi pro cara da bicicletaria arrumar uma roda 26 usada pra ele montar com os pneus que dei.

O cara abre a carteira, saca os únicos 10 reais que tinha e me oferece. Me senti um lixo. Falei pra ele que ficaria muito feliz em saber que ele iria usar os pneus e que dos amigos não se cobra nada.

Os olhos do cara encheram de lágrimas...

Eu vivo lamentando os números da empresa, que eu perdi ali, que eu ganhei ali...catzo, eu tenho um monte de bicicletas, todas do jeito que quero, poderia me sentir um cara realizado, e acho que pedalo muita coisa...

Eu sou na realidade um merda...quem pedala são estes guerreiros. Eles são os ciclistas urbanos, percorrem distâncias diárias gigantes com uns trambolhos daqueles, só com freio traseiro. Nem fazem idéia do que a bicicleta representa no trânsito ou os direitos que têm, eles só querem pedalar e chegar vivos em casa.

Tem situações que fazem a gente pensar: o que faz encontramos estas pessoas para deixarmos de reclamar um pouco e olhar pro cara que tá do seu lado?

Acho que se as bicicletas não forem para todos, não serão para ninguém.

É isso.

Canna